Agosto 15, 2008 por Gesta Humana
EVOLUÇÃO DO MERCADO
O “caranguejo samurai japonês”, que habita os mares do Japão tem na sua carapaça um desenho que parece a face de um samurai. Entender o porquê de sua forma é compreender o mecanismo evolutivo proposto pela Teoria da Evolução das Espécies.
A forma de samurai é fruto de um longo processo de seleção natural. Os ancestrais da espécie, há gerações atrás, não possuíam essa “cara de samurai” tão definida em suas carapaças. Apresentavam formas e relevos aleatórios. Mas em razão da variedade de caranguejos alguns espécimes apresentavam formas de carapaças que lembravam samurais (da mesma forma que vemos rostos em nuvens).
Ao longo dos séculos, pescadores recolheram vários caranguejos em suas redes. E no momento da seleção, muitas vezes encontravam algum que, por sorte do animal, havia nascido com esta forma que hoje os caracteriza, ou algo semelhante a isto.
Por toda a crença e superstição presente na cultura destas pessoas, temiam por matar estes “privilegiados” espécimes e os atiravam de volta ao mar. Já aqueles cujas formas não se pareciam com nada conhecido eram mortos e consumidos. Com isso os “cara de samurai” começaram a se tornar maioria, pois sempre sobreviviam e conseguiam gerar descendentes. E Depois de muito tempo, deixaram de ser maioria e passaram a ser toda a população.
Outra história que exemplifica o mecanismo por trás da evolução e seleção natural é visto no desenvolvimento das bactérias.
Para combater infecções causadas por bactérias, os médicos receitam antibióticos. Em alguns casos, depois de um certo tempo ministrando certo antibiótico para um certo tipo de infecção, percebe-se que as bactérias começam a apresentar uma resistência, ou seja, o remédio pára de funcionar em casos semelhantes. Por que isto ocorre? É o mecanismo da seleção natural se apresentando.
O antibiótico funciona como um agente selecionador. Bactérias mais fracas, que não possuam resistência ao antibiótico, morrem, enquanto as mais resistentes conseguem sobreviver, reproduzem-se e passam sua carga genética resistente adiante. Com o tempo, forma-se uma população de bactérias resistente ao antibiótico, tornando a droga inócua.
Os cientistas são forçados então a descobrir um novo composto que ataque esta nova população de “super bactérias”.
Mas por que alguns indivíduos da colônia inicial de bactérias são resistentes aos efeitos do antibiótico? Simplesmente porque seres de uma mesma população são diferentes entre si. Nascem com características físicas próprias que os destacam uns dos outros. Seja a cor dos olhos, a compleição física, anomalias genéticas, maior ou menor resistência a certas substâncias. A posse de uma característica distintiva pode favorecer ou desfavorecer o indivíduo dependendo da situação.
Se você tiver nascido mais alto e mais forte que se irmão, terá mais chances de seguir uma carreira na Aeronáutica do que ele. Mas se seu sonho profissional for na área jurídica, esta vantagem na aparência não lhe trará qualquer benefício.
Em um conjunto populacional as mutações são um dos dois fatores da evolução (o outro é a seleção). A primeira vem de forma rápida, a segunda é extremamente lenta e gradual. Mas a combinação é perfeita.
Numa população, se a característica distintiva favorecer a sobrevivência, ela será passada para a frente. Os indivíduos que a apresentam terão maior sucesso e maiores chances de deixar descendentes, que herdarão a característica deles. A próxima geração, então, contará com uma proporção maior de indivíduos portadores da característica distintiva favorável. Se não favorecer, é eliminada.
Mas e daí? O que isto tem a ver com gestão? É que o mecanismo evolutivo não se apresenta com exclusividade na natureza. É regra presente também no ambiente de negócios.
Existe uma infinidade de empresas competindo em cada segmento de mercado. Cada uma delas irá seguir uma estratégia própria, lançando produtos e promovendo-os, buscando atender, satisfazer e conquistar o consumidor. Algumas terão sucesso, outras nem tanto. O que determinará isto? Alguma característica distintiva apresentada pela estratégia e produto de maior sucesso, que o fará conquistar o mercado. Esta estratégia será então reproduzida pelos produtos “seguidores” – filhos do produto percursor. E os demais? Irão quebrar e sair do mercado. Seleção natural!
E qual característica é a vencedora? Como saber antes que a história seja contada? Lembre-se, várias empresas partem, cada qual com um plano próprio. Pela lei da estatística, dentre um elevado número de opções, alguma irá ser mais favorável que as demais. Qual? Se soubéssemos todos seríamos vencedores, chegando empatados ao final.
Quer dizer que competição é sorte? Não. Mas carrega uma carga inegável de aleatoriedade.
Que isto não sirva para amenizar a frustração ou angústia de nenhum empreendedor que luta por seu sucesso, pois apesar de ser uma razoável compreensão das regras do jogo, não irá dar a ninguém a satisfação perseguida pelo sucesso profissional e muito menos o conforto material que este sucesso irá proporcionar.
Então, continue refinando sua estratégia e buscando moldá-la de forma a tornar-se a característica distintiva favorável no processo de seleção. E saiba que todos estão fazendo suas apostas. Alguém a de vencer. É a regra natural!

















